17ª etapa – Leon – México

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Antes da etapa final programada para este final de semana nos Estados Unidos, o Mundial de Motocross passou pelo México com a 17ª e penúltima etapa em Léon.

Com a situação em relação ao título já definida na classe principal, a MX2 gerava o drama pela disputa entre Pauls Jonass e Tim Gajser. Para dramatizar mais ainda, chuvas torrenciais no sábado à noite deixaram o circuito em condições difíceis.

Chão originalmente duro, gradeado, excesso de água…. fica aquela meleca onde as motos “grudam” e complica muito a pilotagem. Por isso foram pouquíssimos os pilotos a se arriscarem no warm-up no domingo pela manhã. O número de inscritos já não foi animador: 18 na MXGP – incluindo quatro locais e um equatoriano, ou seja, apenas 13 pilotos regulares do campeonato – e 19 na MX2 compondo gates de largada mais murchos que o de costume.

As condições na primeira bateria de ambas as categorias foram mesmo complicadas. Para a segunda corrida a pista secou e deixou de herança as canaletas duras e irregulares. Os tempos baixaram em cerca de 15 segundos, mas não quer dizer que estava muito mais fácil. Vamos aos destaques de Léon.

MXGP

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Romain Febvre, mesmo com o título no bolso, não aliviou a mão e conquistou sua sétima vitória. Dupla vitória. Mesmo com o pelotão dizimado por contusões não se pode tirar uma vírgula de crédito do garoto. O novato já impressionou desde o início da temporada com bons resultados. Depois de sua primeira vitória em bateria no GP Britânico ninguém mais o segurou.

Anda bem no seco, no molhado, no chão duro, médio, mole, lama. Não é um especialista na areia, mas mesmo assim não deixa de conquistar pódios ou mesmo vitórias no terreno. Um piloto completo. Feliz foi a Yamaha que tratou logo de renovar seu contrato no meio da temporada. Tem na equipe um piloto com boas possibilidades de conquistar muitos e muitos títulos.

Shaun Simpson foi o segundo colocado nas duas baterias. Que final de temporada espetacular para o britânico que venceu dois GPs no ano e foi “encampado” pelo time oficial KTM que teve seus três pilotos contundidos. Ao que parece Simpson continuará com sua equipe Hitachi Construction Machinery no ano que vem, cujo mecânico é seu próprio pai, mas terá status e equipamentos de fábrica. Há, Simpson conquistou também o titulo britanico recentemente. O piloto de 27 anos não pode reclamar de 2015.

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Equipe HRC Honda – curiosamente a principal disputa nessa reta final do campeonato é interna entre os pilotos do time vermelho. Gautier Paulin foi contratado evidentemente como primeiro piloto, seria o homem da equipe para conquistar o título, mas sua performance não foi a esperada, exceto em Valkenswaard, Holanda, onde deu um baile na concorrência.

Dizem por aí que começou a temporada com uma contusão na mão, mas mesmo depois da metade do campeonato continuou apresentando resultados irregulares e errando mais do que era de se esperar. Por outro lado Evgeny Bobrishev continuou com seu estilo “russo”, tipo cabo enrolado e seja o que deus quiser, mas errou menos durante o ano e aos poucos foi adquirindo consistência nos resultados. Mais importante: não se machucou como de costume nas temporadas recentes.

No México os dois pilotos evidenciaram a rivalidade lutando bravamente por posições em um duelo animado nas duas baterias e o russo se saiu melhor em ambas. Na segunda corrida Paulin até conseguiu ultrapassá-lo para logo em seguida “prestar homenagem a Villopoto” virando para trás numa saída de curva de forma muito semelhante a queda que antecipou o fim de carreira do americano. Bobryshev tem 17 pontos de desvantagem a caminho dos EUA e tenho certeza que vai usar todas suas armas para lutar pelo vice-campeonato.

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Vale destacar ainda o outro novato na categoria. Obviamente Glenn Coldenhoff tem sua temporada de novato ofuscada pelo espetacular campeonato de Febvre, mas o jovem holandês cresceu bastante de produção durante o ano, venceu um GP na Letônia e resultados entre os cinco primeiros se tornaram naturais. No México foi quarto nas duas baterias e é um cara para ficar de olho em 2016 quando passa a defender a KTM ao lado de Antonio Cairoli.

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MX2

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Mais que a velocidade, as quedas estão sendo primordiais para definir a situação na briga pelo título da categoria. Na primeira bateria foi Tim Gajser que escorregou na recepção de uma mesa e só pode assistir de longe o seu rival Pauls Jonnass vencer a corrida. O esloveno se recuperou até a quinta posição, último a não tomar volta do líder.

Na segunda bateria Jonass jogou uma boa chance fora ao perder aderência no exato momento que marcava o “holeshot” na linha branca. A queda na largada dificultou sua corrida, mas o “clímax” de sua corrida ainda estava por vir. Uma volta e meia depois, quando já tinha reconquistado 11 posições, ejetou de sua moto lá no terceiro andar de um triplo. Incrivelmente não se machucou, mas teve que terminar a corrida com a moto toda torta depois de passar nos pits para tentar alinhar a frente literalmente no chute.

As dificuldades dos líderes abriram caminho para um novo vencedor. Depois de chegar em quarto na primeira bateria, Thomas Covington se encontrou na liderança da segunda e conseguiu abrir terreno numa pista pronta para derrubar qualquer um. Ao final Gajser ameaçou uma aproximação, mas Covington tinha a situação sob controle e recebeu a bandeirada com pouco mais de seis segundos de vantagem.

O jovem piloto da Kawasaki não é uma face desconhecida no mundial. Depois de uma carreira amadora de sucesso nos EUA, Covington decidiu seguir seu projeto na Europa e surpreendeu na primeira prova ano passado no Catar com a terceira posição em uma das baterias. Porém, os bons resultados demoraram a se repetir enquanto a dura ladeira do aprendizado era encarada.

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Filho de um dos diretores da Monster Energy, a admissão na equipe oficial Kawasaki logo de início não foi uma dificuldade. Acontece que o Motocross é um dos poucos esportes a motor onde o dinheiro compra uma vaga, mas não compra resultados. Covington, que ocupa a 12ª posição no campeonato, foi o melhor naquele domingo mexicano e isso ninguém pode lhe tirar. Talvez a vitória no GP lhe dê confiança para entrar definitivamente no pelotão da frente em 2016.

Bom, voltando ao campeonato Gajser conquistou mais cinco pontos sobre Jonass o que dificulta bastante as chances do piloto da KTM virar o jogo nos EUA, entretanto, como já vimos várias vezes durante o ano, tudo pode acontecer. É grande a chance da Honda reconquistar um título Mundial nas categorias principais depois de 15 anos. O francês Frédéric Bolley ganhou na categoria 250cc em 2000.

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Fonte: MotoX.com.br: Lucídio Arruda – Fotos: Ray Archer / Pasqual Haudiquert

Author: HP RACE

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