Copa Brasil de Motocross – Final – Brasileiro Pró – 4ª etapa – São José – SC

Carlos Campano e Hector Assunção conquistam os títulos da Copa Brasil
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Sem previsão de chuva o Motódromo Marronzinho recebeu ‘de braços abertos’, em São José (SC), a segunda e última etapa da Copa Brasil de Motocross, válida também como quarta etapa do Brasileiro de Motocross, no último fim de semana. Além da decisão do campeonato na principais categorias, a grande atração das corridas no domingo foi a presença do oito vezes campeão mundial Antonio Cairoli.
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Um privilégio raro. Os pilotos do Mundial de Motocross dificilmente participam de provas locais longe de suas bases, mas tivemos uma feliz coincidência de interesses: a KTM Brasil ampliando a divulgação da marca e Cairoli disposto a recuperar o ritmo antes da preparação pré-temporada.

Com uma SX350F original à disposição, o italiano desembarcou com nada menos que quatro malas de peças especiais. Praticamente sobraram apenas motor e quadro originais na moto. Também a ponteira de escape, já que a peça de 450 que trouxeram não serviu na 350.

Nos treinos de sábado ficou claro que as corridas não seriam exatamente um passeio no parque. Cairoli reconheceu o terreno com tranquilidade e os melhores tempos ficaram com Jean Ramos e Carlos Campano, nessa ordem. Cairoli foi o terceiro mais rápido. Já no warm-up de domingo, as posições se inverteram. Cairoli soltou a mão e foi 1,2s mais rápido que Campano, que colocou 0,4s em Jean. Para esses dois, mais importante que medir forças com o campeão mundial, era o título da Copa, que ao que tudo indicava – e acabou se confirmando – seria decidido entre os pilotos da Yamaha Geração.
Corridas
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Na primeira largada da MX1, Campano assumiu a ponta seguido de Jean e Carlos Badiali, formando um trio da Yamaha na liderança. Cairoli saiu em quarto, mas Paulo Alberto aproveitou a confusão na fase inicial para roubar a posição do italiano.

Na segunda ou terceira volta, Badiali errou o triplo em subida e caiu bem na frente de Cairoli e Alberto, que saltaram emparelhados. O português não teve por onde escapar e acabou atropelando o venezuelano, que abandonou a corrida, mas voltaria a largar na segunda bateria. Essa primeira prova foi marcada por várias quedas.
Na terceira posição, Cairoli estudou o terreno por cerca de dez minutos antes de partir para o ataque, primeiro ultrapassando Jean Ramos e depois Carlos Campano. Ambos não venderam barato suas posições. Interessante foi notar a torcida do público pelo italiano, mesmo na disputa contra um brasileiro.

Cairoli cruzou a bandeirada com 13 segundos de vantagem sobre Campano, que abriu dez segundos de Jean. Mesmo com uma queda, Jorge Balbi – que após a prova declarou não se sentir nem um pouco à vontade na pista – venceu o duelo pela quarta posição com o equatoriano Jetro Salazar.

Segunda bateria
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Na segunda corrida, Campano e Jean repetiram a boa largada, mas dessa vez Cairoli veio quente, decidido a resolver a disputa já no início. Logo, o italiano passou a líder, mas uma queda, num king em curva algumas voltas depois, o mandou de volta novamente ao terceiro posto.

A velocidade com que atacava as canaletas foi o diferencial do italiano que mais uma vez teve trabalho para recuperar as posições de Jean e Campano até reassumir a liderança.
Nos dez minutos finais, recomeçou a batalha decisiva pelo título entre os pilotos da Yamaha. Jean era mais rápido na parte baixa da pista e Campano descontava no miolo. O curitibano chegou a emparelhar por duas ou três vezes, mas o espanhol defendeu com garra a posição. Foi uma bela batalha entre os companheiros de equipe, digna de final do campeonato.
Campano conseguiu garantir a posição na última volta e comemorou o título por apenas dois pontos de vantagem. Cairoli, como convidado, não teve influência na pontuação do campeonato. Na sequência chegaram Paulo Alberto, Adam Chatfield e Jorge Balbi. O mineiro ficou com a terceira posição geral da Copa Brasil de Motocross.

Carlos Campano
“O Jean estava na frente no campeonato. Precisava ganhar dele em uma bateria. Na primeira foi fácil, pois larguei em primeiro. O Cairoli demorou para me ultrapassar. Então, consegui abrir um pouco mais em relação ao Jean e andei mais tranquilo. A segunda foi bem mais difícil, a pista estava mais seca. Era mais fácil cair, cometer erros. Foi mais difícil achar um ritmo bom na pista. Mas consegui ganhar o campeonato e no Brasileiro estou um pouco mais na frente.”

Jean Ramos
“Infelizmente não consegui ser o campeão, dei meu melhor. Eu estava focado no resultado da Copa Brasil, sabia que tinha que passar o Campano para ser campeão. Mas foi bacana, gostei do jeito que pilotei nas duas baterias. Na primeira, andei muito bem. No Brasileiro, estamos na luta. São 15 pontos de diferença. Então, é continuar trabalhando.”

Jorge Balbi
“Eu estou satisfeito com o resultado. Em momento nenhum eu me encontrei com a pista. Em Indaiatuba (cidade paulista que foi sede da primeira etapa), eu consegui andar bem, lá eu tinha a mesma velocidade que o Campano e o Jean. Mesmo assim, esse final de semana, consegui andar bem. Fui o quarto, tirando o Cairoli, eu fui o terceiro e encerrei a Copa Brasil em terceiro.”

Tony Cairoli
“Eu estava bem, mas na segunda bateria, um pouco cansado, acabei caindo, Sabia que se mantivesse a velocidade e a consistência, voltaria ao primeiro lugar. Tenho que reconhecer que os dois pilotos (Carlos Campano e Jean Ramos) são muito bons, andaram melhor do que quando foram aos GPs. Acho que eles elevaram o nível do Brasil no motocross.”
MX2
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No início da MX2, parecia que as coisas iriam se complicar um pouco para Hector Assunção, que chegou à etapa com vantagem na classificação. Fábio dos Santos abriu caminho na primeira bateria e deixou o líder para trás, junto com Dudu Lima, outro piloto na disputa pelo título que não largou bem. Porém, a recuperação de Hector foi rápida. Mais ou menos na quinta volta ele já era o terceiro colocado, superando Pepê Bueno e João Pedro Ribeiro. Pouco depois, assumiu a vice-liderança e ficou ali até o final. Fábio assegurou a bateria com ótimo desempenho e uma vantagem tranquila. Dudu também se recuperou de forma exemplar e chegou em terceiro, seguido por João Pedro e Enzo Lopes, que herdou o quinto lugar apôs uma queda de Pepê.
Fábio dos Santos foi novamente o mais rápido na largada da segunda bateria, mas desta vez, Dudu Lima e Pepê Bueno colaram no adversário. Hector foi o quarto, mas passou à vice-liderança já na segunda volta. Lutando para defender. Ponta do forte concorrente, Fabinho acabou no chão e só conseguiu voltar à disputa em quinto lugar. Com isso, Hector aproveitou a oportunidade e cruzou a linha de chegada em primeiro conquistando o primeiro lugar na soma das baterias e também o título. Dudu foi o segundo, assegurou a mesma posição na classificação geral da etapa, e teve ao lado no pódio Fabinho, João Pedro e Enzo. No campeonato, Fábio ficou em segundo, Dudu em terceiro, João Pedro em quarto e Caio Lopes em quinto.
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Hector Assunção
“Para o Brasileiro eu tinha que me preocupar com o Dudu, precisava chegar na frente dele nas duas baterias. Para a Copa Brasil, precisava chegar na frente do Fabinho e consegui. Foram duas provas boas. Infelizmente, na primeira bateria, acabei batendo com outro piloto na largada e fiquei sem o freio dianteiro. Desde a primeira volta, sem nada do freio dianteiro e isso acabou dificultando bastante, porque a pista tinha muita canaleta. Mesmo assim, consegui finalizar na segunda posição. Na segunda bateria, entrei um pouco mais sossegado. Podia chegar em terceiro para ser campeão. Infelizmente o Fabinho caiu, e daí consegui ficar na liderança.”
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MX3

A MX3 também teve vitória estrangeira. O esloveno Roman Jelen, recém-chegado ao Brasil e ainda em uma de suas primeiras provas no país, dominou a categoria para pilotos com mais de 35 anos e faturou o título. O europeu deu um show na pista e assumiu a frente logo no início sem dar espaço aos adversários. Duda Parise, Milton ‘Chumbinho’ Becker e Paulo Stédile se enfrentaram em busca da segunda posição e protagonizaram uma ótima disputa. Duda acabou se dando melhor. As demais posições foram as mesmas na prova e no campeonato. Duda em segundo, Chumbinho em terceiro, Paulo Stedile em quarto e Erivelto Nicoladelli em quinto lugar.
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Roman Jelen
“Estou orgulhoso, sabe? Feliz por estar aqui, me divertindo. Não faço muita questão de vencer. Agora é mais para me divertir. Minha energia agora é para animar o público. Mas espero também aumentar o nível da prova. Eu sei que tenho experiências que os outros pilotos não têm. Vencer aqui para mim é mais questão de me divertir, do que de ser ‘o cara’. O título é uma consequência e é bom para os patrocinadores e para minha equipe. Com certeza, é também para reconhecer meu amigo Wellington (Valadares) que me ajudou muito aqui.”
Duda Parise
“Acho que a prova foi legal. Não tive uma boa largada, mas consegui imprimir um ritmo bom. No início, o Roman e o Chumbinho estavam muito fortes. Então eu nem arrisquei porque eu ia ter que forçar muito. Eu fiquei controlando o Chumbo porque o meu foco é o Campeonato Brasileiro. Então, fiz uma corrida cabeça, administrei bem.”
Júnior
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A disputa da Júnior, válida somente pelo Campeonato Brasileiro, foi forte entre Leonardo Cassarotti e Leonardo de Almeida. Cassarotti saiu em primeiro, mas teve que lidar com a perseguição permanente do concorrente. Mesmo assim, foi consistente e chegou na frente, deixando o oponente em segundo. Thiago Brenner e Tallys Nathan também travaram uma bela disputa pelo terceiro lugar. Thiago tinha vantagem, foi ultrapassado por Tallys, que depois de uma queda não conseguiu segurar o posto.
Leonardo Cassarotti
“Pensar em título agora não dá mais. Pois já caí fora da pista na primeira etapa, já acumulei muitos erros e um antidesportivo. Agora não é pensar em título, mas correr bem. Hoje (domingo) a corrida foi boa. Minha largada foi sensacional. Cheguei a acertar a canaleta para ultrapassar o segundo e fui abrindo até poder aliviar e evitar erros. O Léo Almeida chegou a pressionar um pouco. Mas, me foquei no que eu estava fazendo e não nele.”
Disputas de sábado
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Além das categorias realizadas no domingo, o evento teve a prova da Intermediária durante o sábado. A classe foi vencida por Leonardo Limberger que com isso faturou também o título da categoria, superando Jacson Keil pelo critério de desempate (melhor desempenho na última etapa) já que os dois somaram os mesmos pontos. Outra disputa do fim de semana foi o Holeshot Red Bull Enzo Lopes, uma batalha especial de largadas que teve o piloto gaúcho como anfitrião. Pepê Bueno venceu na MX2 e Lucas Gadotti na Intermediária.
Agora os pilotos tem pouco mais de duas semanas de preparação até a quinta etapa do Campeonato Brasileiro de Motocross, prevista para os dias 7 e 8 de novembro em Tapejara, no Rio Grande do Sul.
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Fonte:MotoX.com.br – Fotos Maurício Arruda

Author: HP RACE

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