Por dentro do MXGP dos Estados Unidos

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Glen Helen, pela segunda vez este ano, foi o principal palco do motocross no mundo, recebendo depois de quatro anos, uma etapa do Campeonato Mundial, a grande final de 2015. Desta vez, muita coisa mudou. O clima, a pista, a estação do ano e, principalmente, a participação de times e estrelas norte-americanas.
O traçado era bastante parecido com o que vimos no início do Lucas Oil AMA Motocross, entretanto, a preparação da pista foi nitidamente diferente, com uma base mais sólida, não sendo gradeada tão profundamente, o que geralmente proporciona um dos traçados mais desafiadores do planeta, deixando que as íngremes subidas e descidas, juntamente com o ardido verão norte-americano fossem, desta vez, os principais adversários dos competidores.

Sem dúvida alguma, a (breve) participação de Ryan Villopoto no campeonato, na minha opinião, foi um grande fato para que o evento fosse um sucesso e, mesmo com temperaturas que ultrapassaram os 40 graus, a etapa trouxe um público muito maior que nas edições passadas.

Algo interessante foi que o público americano estava lá, vibrando e apoiando os pilotos da casa, alguns até com o rosto pintado, como se estivéssemos em uma prévia do Motocross das Nações. Isso prova que a estratégia da Monster Energy e da FIM de popularizar o campeonato na terra do tio Sam, seja com Villopoto, com a melhor cobertura televisiva ou com as mídias sociais, de certa forma, está dando bastante certo.
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Mesmo depois de alguns grandes nomes desistirem da participação no evento, entre eles o heróico Ryan Dungey, os americanos tiveram muito o que vibrar, pois acabaram vencendo três das quatro baterias disputadas, duas via Jesse Nelson da Troy Lee Designs KTM na MX2 e a segunda bateria da MX1 com Josh Grant, que acabou levando a melhor em cima do atual campeão mundial Romain Febvre, que depois de vencer a primeira bateria, acabou faturando a taça da etapa, fechando o campeonato com chave de ouro.
Mas quem comemorou mesmo em Glen Helen foi Tim Gajser, da Garibaldi Honda, conquistando o título da MX2 para a marca japonesa depois de 20 anos. Com 18 pontos de folga na classificação, ele teve uma pilotagem bastante arrojada e tomou vantagem da visível exaustão de Paul Jonass no clima desértico da Califórnia, para se manter logo atrás dos pilotos locais e se sagrar campeão.

Além da consagração dos vencedores, Glen Helen foi uma corrida importante por outros grandes fatos. Primeiramente, por marcar a última prova em que provavelmente veremos Ryan Villopoto sob obrigações contratuais. Apesar de anteriormente ter declarado que não teria mais interesse em continuar envolvido na indústria depois que sua carreira acabasse, ele mencionou durante uma entrevista no final de semana que continuará a parceria com algumas das marcas que estiveram com ele por toda a trajetória como a Kawasaki e a Parts Unlimited. Além disso, o piloto está por trás – como um investidor – das novas joelheiras Mobius.

O sul-africano Tyla Rattray também marcou o fim de sua carreira neste final de semana, sendo homenageado pela Thor com um equipamento personalizado com as cores da África do Sul e com pequenos number-plates com todos os números que ele usou durante a sua carreira profissional. Tyla servirá de mentor para Jesse Nelson em 2016.

Joel Smets e Stefan Everts também podiam ser vistos pelo paddock com frequência e, logo depois do Motocross das Nações, também devem trocar de camisas, sendo que a contratação de Smets já foi confirmada pela KTM, entretanto, a compra do time oficial da Suzuki por Stefan Everts ainda não foi completamente oficializada.
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Outras faces bastante familiares também estiveram presentes, como o kiwi Ben Tonwley e Davi Millsaps, que usaram a prova como treino para o Motocross das Nações, e para o Monster Cup, respectivamente. Marvin Musquin fez a estreia nas 450cc e Cooper Webb mostrou porque está no time americano para o MXoN, ocupando a terceira posição do pódio, depois de uma excelente atuação.
Josh Grant fez a última prova como suplente da Factory Kawasaki com uma impressionante performance e espera que isso tenha agradado os olhos de algum dirigente de um time de fábrica. O californiano é um dos grandes nomes que ainda não possui nenhum tipo de contrato para o ano que vem, mesmo com 2015 tendo sido um dos anos mais constantes de sua carreira.

Assim como Grant, Justin Boggle, que gradua para as 450cc em 2016, é uma das peças do quebra-cabeça que ainda não tinha lugar definido, mas a conversa no paddock é que o piloto possivelmente alinhará ao lado de Chad Reed, a bordo de uma Monster Energy Yamaha.

Em resumo, se me perguntarem se o final de semana foi como uma prova da AMA, a resposta é… não! Mas se me perguntarem se foi um sucesso… a resposta é… com certeza! Como falei na coluna passada, não é realmente importante quem tenha o título de melhor piloto da atualidade, seja ele Ryan Dungey ou Romain Febvre. O que importa é a globalização e o crescimento do esporte como um todo, em todos os cantos, seja no Qatar, na Argentina, na Tailândia ou aqui no sul da Califórnia. Com a deficiência de patrocínio, leis urbanas e ambientais ou até mesmo o alto risco da prática do esporte, é importante que pilotos, equipes e organizações juntem forças para que mais eventos como este sejam realizados com sucesso em outras partes do mundo, buscando novos adeptos, novos tipos de apoio financeiro e que futuras gerações sejam expostas à beleza do melhor esporte do planeta.
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Fonte: MotoX.com.br – Texto e fotos: Edu Erbs

Author: HP RACE

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